Category: Posts em português

Carnaval Chick

By pigwhisperer, February 12, 2010

Descobrimos um ninho com esse passarinho dentro. Ontem, ele voou. Acho que ele estava pronto para brincar carnaval, e queria sair de casa!

This week found a nest with a baby bird in it. Yesterday, he flew away. Carnaval begins on Saturday, so maybe he was hoping to get a head start on the fun.

Sunday’s Poem / Poema de domingo

By pigwhisperer, January 3, 2010

“Girder” by Nan Cohen

The simplest of bridges, a promise
that you will go forward,

that you can come back.
So you cross over.

It says you can come back.
So you go forward.

But even if you come back
then you must go forward.

I am always either going back
or coming forward. There is always

something I have to carry,
something I leave behind.

I am a figure in a logic problem,
standing on one shore

with the things I cannot leave,
looking across at what I cannot have.

Antônio Gedeão, Poema de Domingo

Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio algremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.

Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.

É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.

Monday’s Poem / Poema de segunda-feira

By pigwhisperer, December 14, 2009

Soneto de Fidelidade
de Vinícius de Morais

E tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meus pensamentos
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Sonnet of Fidelity
by Vinícius de Morais

Above all, to my love I’ll be attentive
First and always, with care and so much
That even when facing the greatest enchantment
By love be more enchanted my thoughts.

I want to live it through in each vain moment
And in its honor I’ll spread my song
And laugh my laughter and cry my tears
When you are sad or when you are content.

And thus, when later comes looking for me
Who knows, the death, anxiety of the living,
Who knows, the loneliness, end of all lovers

I’ll be able to say to myself of the love (I had):
Be not immortal, since it is flame
But be infinite while it lasts.

Espaço Aberto Literatura na GloboNews: O Video

By pigwhisperer, December 11, 2009

10/12/2009
O video da entrevista na GloboNews, feito por jornalista Claufe Rodrigues.
(For all of my English-speaking friends out there: Here’s a video of an interview with Globo News–a Brazilian TV network–for their weekly program, Espaço Aberto Literatura.)
Aqui está o link. Just in case, here’s the link.

“A Costureira e o Cangaceiro” estreia na Globo News

By pigwhisperer, December 10, 2009

Espaço Aberto Literatura, um programa da Globo News, me entrevistou aqui na fazenda. O programa de 23 minutos estreia hoje!

Estreia: *Quinta-feira, 10/12, 21h30min

Reprises: *Sexta-feira 01h30min / *Sexta-feira 08h30min / *Sexta-feira 16h30min / Sábado 08h30min / Sábado 16h30min / Domingo 06h05min / Quarta-feira 05h05min

Lembrando que o programa fica disponível no site da Globo News após a primeira exibição. (Claro que vou tentar colocar o video no blog!)

Artigo sobre “A Costureira…” no 16/10/2009 Valor Econômico!

By pigwhisperer, October 18, 2009

Entre dois amores
Por Olga de Mello
Literatura: Escritora brasileiro-americana que cresceu nos EUA volta para o Brasil e lança a tradução, para o português, de seu primeiro romance.

A descrição da celebrada escritora dinamarquesa Isak Dinesen bem poderia ser assinada por Frances de Pontes Peebles. Há cinco meses administrando a fazenda de café de sua família, em Taquaritinga do Norte, no Planalto da Borborema, em Pernambuco, Frances não tem nenhuma pretensão de tornar-se uma Dinesen dos trópicos. “Espero que minha fazenda seja mais bem-sucedida do que a dela. Na literatura, minha ousadia não chega a tanto”, disse em entrevista por telefone ao Valor, na semana em que chegou às livrarias brasileiras a tradução de seu romance de estreia, “A Costureira e o Cangaceiro” (Nova Fronteira, 624 págs., R$ 69,90).

Isak Dinesen era o pseudônimo de Karen Blixen (1845-1992), que morou por 16 anos no Quênia, onde teve uma fazenda de café. Desistiu da empreitada em 1931 e voltou para a Dinamarca para dedicar-se à literatura. O autobiográfico “A Fazenda Africana” tornou-se seu livro mais conhecido, principalmente depois da versão cinematográfica de Sidney Pollack, com Meryl Streep no papel da escritora. Gostava de escrever em inglês e depois os textos eram vertidos para seu idioma nativo. Outro de seus contos a lhe render popularidade por adaptação para o cinema foi “A Festa de Babette”, de Gabriel Axel.

Além da dedicação ao café e à literatura, Frances, como a dinamarquesa, também escreve em inglês. Nascida no Recife há 30 anos e definindo-se como alguém com “um pé no Brasil e outro nos Estados Unidos”, a brasileira sente que sua fluência em português está restrita à fala – com um forte sotaque pernambucano. “Não tenho segurança para me aventurar em textos maiores que os de cartas ou e-mails”, explica Frances, que não interferiu na tradução de Maria Helena Rouanet para o romance. Na versão original fez questão de inserir termos em português.

“Não existe tradução para alpercatas, cangaço ou jagunço. Não são sandálias de couro, bandidos nem vaqueiros, têm outro significado. Então, pus notas explicativas e deixei tudo como se fala aqui, até porque pretendia reproduzir um pouco da musicalidade do palavreado polissilábico português”, conta Frances, que viveu no Brasil até os 5 anos, quando a família se mudou para os Estados Unidos para acompanhar o pai, David Peebles, engenheiro americano.

O contato estreito com a família materna, em Pernambuco, foi sua base para criar uma história genuinamente brasileira. Seguindo a saga de duas irmãs órfãs e costureiras, Frances mostra tanto o Brasil urbano, por meio da sociedade do Recife da época, que buscava acompanhar a modernidade europeia no período anterior à Segunda Guerra Mundial, e o agreste nordestino, onde o tempo resistia às novidades. Depois de formar-se em Letras pela Universidade do Texas, recebeu uma bolsa da Fundação Fulbright para pesquisar o cangaço e escrever um romance histórico totalmente fictício, em que o único personagem real é Getúlio Vargas. “Até os sobrenomes são inventados, pois não queria nenhuma associação com gente que viveu na região.”

O fascínio pelo universo do cangaço vem da infância. Em Taquaritinga ouvia boatos sobre vizinhos que teriam sido cangaceiros. “Eu tinha um medo danado de um tal de seu Vitorino, que teria sido do bando do temível Antonio Silvino. Hoje o cangaço é folclore e os cangaceiros têm aura de heróis, mas quem viveu aqueles tempos sentia pavor deles. Por mais que os cangaceiros fizessem frente ao poder dos coronéis, eles eram perigosos. As famílias escondiam as filhas, já que muitas meninas de 14 anos eram sequestradas pelos cangaceiros. E, mesmo que não sofressem violência alguma, eles ainda tinham que hospedar ou ceder as casas para os bandos”, contou Frances.

A pesquisa histórica à qual se dedicou durante quatro anos e meio incluiu entrevistas com moradores de Taquaritinga, que eram jovens na época do fim do cangaço: “Os relatos deles forneceram o tom de veracidade necessário ao romance. Eu queria criar os meus cangaceiros, que têm características de gente que existiu realmente, só que tudo bem misturado, de forma a ninguém ser reconhecido. As lembranças dessas pessoas me ajudaram a fazer a transposição para aquele mundo que acabou”.

Traçando um paralelo entre a trajetória das irmãs – uma que vive um casamento de conveniência no Recife, a outra, levada por cangaceiros, ganhando notoriedade por sua força dentro do bando -, Frances quis mostrar que as normas rígidas pautavam o comportamento de todos os grupos sociais. “Qualquer traição era punida com a morte. O adultério era proibido. Pouco se sabe do cotidiano das mulheres do cangaço, que entregavam os filhos recém-nascidos aos padres no sertão para que fossem criados por outras famílias. Era uma vida muito perigosa, arriscada, porém a angústia também existia para quem sofria o preconceito da sociedade rica no meio urbano, obrigada a cumprir rituais de luto, mesmo que não sentisse a dor da perda pela morte”, relatou.

A versão brasileira de “A Costureira e o Cangaceiro” exigiu um corte de quase cem páginas. Frances Peebles reconhece que o romance, atualmente com 600 páginas, ainda é bastante extenso. Mesmo assim, conquistou o público feminino. “Apesar do tema, o livro foi apontado como um dos favoritos pelas leitoras da revista ‘Elle’, o que me surpreendeu”, contou a escritora, que não revela o próximo tema a explorar literariamente. Por ora, a prioridade é a fazenda em Taquaritinga, onde pretende permanecer, no mínimo, por cinco anos – o prazo necessário para estabelecer a plantação de café orgânico.

Ela garante que não seguirá o exemplo de Isak Dinesen, narrando sua vivência na direção da fazenda: “Escrever não ficção é abrir sua intimidade, que nem sempre é tão interessante assim. Mexemos com máquinas, andamos o dia inteiro. Estamos ainda aprendendo a tocar o negócio”, explica Frances, que tem como companheiros na empreitada o marido, a irmã e o cunhado.

O trabalho incessante limita a vida social dos dois casais, que ocupam casas diferentes no mesmo terreno. Levantam-se pouco depois do nascer do sol e passam o dia coordenando as atividades dos 17 empregados, entre elas a coleta de mel de colmeias de abelhas e os cuidados com as criações de porcos e de cabras, que fornecem os fertilizantes naturais para o solo. Acabam de plantar quatro mil mudas de pau-brasil na região. Segundo Frances, não há nenhum arrependimento por haver trocado a sofisticada Chicago pela pacata Taquaritinga: “Aqui é minha casa, minha referência de infância, o lugar onde pretendo envelhecer. Queremos criar mais do que uma fonte de renda para a família, trazendo uma inspiração para o desenvolvimento sustentável da região. Tudo é novidade e aprendizado. A vida ficou mais simples, não há televisão na fazenda. Mesmo assim, não há como nos isolarmos do mundo. Temos internet”.

Entrevista no programa Estação Cultura na Rádio Mec

By pigwhisperer, September 29, 2009

Hoje foi entrevistada no programa Estação Cultura na Rádio MEC do Rio de Janeiro. Toda terça-feira Estação Cultura tem seu Café Literário, onde anuncia os lançamentos de livros da semana. Hoje a apresentadora do programa, Alessandra Eckstein, me perguntou sobre o meu livro, A Costureira e o Cangaceiro. A entrevista foi ótima! É uma pena que não oferecem podcasts da Estação Cultura, porque eu gostaria que vocês ouvissem a entrevista. Mas queria agradecer Alessandra e Estação Cultura pela atenção.

Today the program Estação Cultura (Cultural Station) on Rio de Janeiro’s Rádio MEC interviewed me about A Costureira e o Cangaceiro. Every Tuesday at 1:30 Estação Cultura hosts their “Literary Cafe” where they talk about new book releases in Brazil. Today the program’s host, Alessandra Eckstein, asked me questions about my novel and my time in Brazil. Unfortunately Rádio Mec doesn’t offer podcasts of Estação Cultura; I’d really like to share the interview with everyone who reads the blog. Many thanks to Alessandra and her team at Estação Cultura for their time and attention.

A Costureira e o Cangaceiro–Livro Lançado no Brasil!

By pigwhisperer, September 27, 2009

Oi gente!
Boas notícias! Meu livro foi lançando no Brasil pela editora Nova Fronteira. O nome do livro em português: A Costureira e o Cangaceiro

“Na pequena Taquaritinga do Norte, Emília e Luzia aprendem desde cedo o ofício da tia, a melhor costureira da região. Em meio a moldes, fazendas, linhas e agulhas, as moças vão tecendo caminhos inesperadamente opostos. Revisitando o Brasil do início do século XX, Frances de Pontes Peebles constrói um romance encantador em meio a transições e turbulências políticas.”

Compre o livro aqui ou em qualquer livraria como Cultura, Saraiva, Travessa, etc.

Now in English: Good news! My novel has been released in Brazil by Nova Fronteira publishers. In Portuguese, the book’s title is: A Costureira e o Cangaceiro

O Manifesto pau-brasil 2009

By pigwhisperer, July 19, 2009


Oi gente. Este será meu primeiro post em português!

Na quinta-feira passada visitamos a Estação Ecológica do Tapacurá, pertencente à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRP). Situada perto do no município de Chã de Alegria, a Estação Ecológica realiza atividades de produção de mudas de espécies florestais da Mata Atlântica, com destaque para o pau-brasil. Recebemos 3,500 mudas de pau-brasil para plantar na nossa fazenda. Apesar de termos muitas árvores indígenas na fazenda, queremos criar um programa de reflorestação do pau-brasil aqui em Pernambuco. Doaremos 500+ mudas para o Município de Taquaritinga do Norte.

O que é pau-brasil? Seu nome científico é Caesalpinia echinata Lamarck. Os índios o usavam na produção de seus arcos e flechas e na pintura de enfeites. A árvore tem uma madeira bastante valorizada, e a sua resina vermelha era utilizado para tingir roupas. Na época da colonização, essa tinta do pau-brasil criou uma demanda enorme na Europa, o que forçou uma devastadora “caça” ao pau-brasil. Hoje em dia, a árvore se encontra na lista do IBAMA de espécies ameaçadas de extinção.

No site da InfoEscola, eles falam que “o pau-brasil era considerado extinto, quando em 1928 verificou-se a existência de uma árvore de pau-brasil em um lugar denominado Engenho São Bento, hoje Estação Ecológica da Tapacurá.” Então nossas mudas de pau-brasil são filhotes desse pau-brasil que sobreviveu a caça dos séculos 16 e 17.

Muitos livros dizem que o nome “Brasil” foi derivado da árvore. Mas encontrei vários artigos que negam essa teoria. Um deles, escrito por o Professor Pedro Paulo A. Funari, da UNICAMP, fala que: “As mais antigas grafias, como “Ho Brasile”, “O’Brasil”, demonstram tratar-se de um nome celta, grupo de línguas da Irlanda e País de Gales (Reino Unido), cujo sentido seria “Terra dos bem-afortunados”, “Ilha da Felicidade” ou “Terra Prometida”, já que a raiz bres, em irlandês, significa “nobre, sortudo, feliz, encantado” e esse nome conviria bem a uma ilha imaginária a oeste do mundo conhecido, na mentalidade medieval.”

Acho que gosto mais desta teoria da mítica ilha medieval. Amanhã começamos plantar nossas mudas de pau-brasil, árvore nobre e especial.

Abraços,
Frances

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